“Eu gosto do
impossível porque lá a concorrência é menor”.
Com essa divertida frase de Walt
Disney começo também meu texto, ou minha dedicatória, como queiram, pra falar
de um sentimento que move minhas braçadas, nas piscinas turvas da vida, depois
de sofrer um AVC há exatamente um ano.
Assim como
Walt, acredito sim em milagres, o que me faz levantar todo dia aquecida, seja
por um élan diferente, ou por uma luz que acende meus novos anseios, minha nova
vida. Nada disso, no entanto, seria possível se não houvesse uma atmosfera
ideal para expressar essa minha arte (precária que seja) do “impossível”.
Com uma
estrutura acessível a tudo e a todos, levando esporte, arte e lazer para o
quintal dos brasileiros de todas as origens, posso dizer que o Sesc abriu-me portas
acolhedoras, enchendo-me de otimismo. Quando
pensei que minha vida estava pendurada por uma corda, lá estava ele, oferecendo-me
suas raias para que eu pudesse dar um grande salto e mergulhar em águas
esperançosas. Ou mesmo nas horas de reflexão, oferecendo-me o silêncio, em seu
espaço para leituras na biblioteca. Até mesmo nas horas de alegria e tristeza,
no cinema e no teatro, na tragédia e na comédia de todos os dias.
Renasci, em
parte, dentro de uma instituição, lugar de piscinas, palcos, leituras, café com
amigas, de onde posso ver meu contentamento, meu destino e minha ousadia:
reconquistar meu corpo, meus movimentos, minha relação social com a cidade,
onde convivo com amigos e parceiros de novas caminhadas.
É aqui, no
Sesc São José dos Campos, que também conquisto, memória após memória, histórias
que percorrem meus personagens diários. Personagens que, depois de muito
resistir, já me permitem respirar mais leve, dormir mais tranquila, acordar
mais desperta e sonhar mais lúcida.
Caminhamos
todos os dias. Atravessamos estações desconhecidas. Em minha nova marcha em
busca do prazer de viver, marco em meu imaginário as casas e lugares reconquistados
e revisitados. Já existem alguns em que passo e reverencio. O Sesc é um deles.
Obrigada!
HOJE POR ALGUM MOTIVO QUE A VIDA SE RESERVA O DIREITO DE NÃO TORNAR CLARO, EU VI A NOTIFICAÇÃO DO FALECIMENTO DESTA SENHORA NO SITE DA URBAN, ESTAVA PROCURANDO POR OUTRA SITUAÇÃO, E AO PASSAR POR SEU NOME QUIS SABER QUEM ERA...ENCONTREI ESTE TEXTO TÃO DELICADO E VERDADEIRO, EM MEIO AO CAOS QUE VIVEMOS VEIO COMO UM FIO DE LUZ TENUE A VIVIFICAR ESPERANÇA.
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