A gente começa a ser feliz quando é capaz de rir de si
mesmo. Ria das coisas boas que te acontecem e ria abertamente para que todos
possam contagiar com a tua alegria. Não devemos abater-nos pelos problemas
porque nenhuma barreira é intransponível se estivermos dispostos a lutar contra
ela.
Rindo da vida, rindo dos problemas e rindo de mim mesma vou
participar deste seu lindo projeto intitulado “Conhecendo Vidas”, pois todos nós
devemos aceitar as pessoas como são e procurando sempre ver nelas aquilo que
têm de melhor.
Nasci a 17 de outubro de 1945, na cidade de Santo Antonio do
Pinhal, estado de São Paulo, pertinho de Campos do Jordão. Fui registrada com o
nome de Lúcia Yahiko Gimbo e tenho hoje 67 anos, quase 68. Até os 5 anos de idade,
morei na terra natal onde passei muito frio e me lembro das manhãs, onde a
geada acumulava na pastagem e nas bacias de água que congelava no quintal de
minha casa e algumas roupas que ficavam “duras” no varal.
Como nasci logo após o término da Segunda Guerra Mundial,
ouvia meus pais comentando sobre “Guerra” quando vinha alguns amigos
visitar-nos. Mas veja bem: naquela época, as crianças não participavam de
“conversas” junto com os adultos, muito menos no meio de “visitas”.
Entrei na escola Japonesa aos 5 anos e lá permaneci por
alguns meses, onde aprendi as primeiras letras com ideogramas simples, própria para
crianças de Jardim da Infância. Lembro-me com saudade daquela “marmitinha” que
mamãe fazia para eu levar à escola e saborear na hora do recreio.
Uma das curiosidades que recordo muito bem da minha infância
foi conhecer o “pão com manteiga”, principalmente a manteiga, produto comum
hoje, mas naquela época, eu com 5 anos, teve um sabor todo especial porque eu
conheci uma coleguinha na escola japonesa que levava “pão com manteiga”, e eu
via a menina lambendo a manteiga do pão e não sabia porque ela se alimentava
daquela forma. Veja bem como os tempos mudaram...
Aos 06 anos me mudei para outra cidade, onde meus pais
compraram terras para desenvolver agricultura. Ficava muito longe da cidade e
tudo era diferente de onde nasci. Não continuei na escola japonesa porque não
havia, mas lembro-me que minha mãe continuou se dedicando ao ensino nas horas vagas
para que houvesse continuidade e não caísse no esquecimento.
Quando matriculei-me no primeiro ano primário, precisava ir
de ônibus para a cidade vizinha, pois onde morava não havia escola por ser zona
rural. Tinha que andar a pé diariamente uns 6 km (ida e volta) para sair na
estrada principal. Muitas vezes o empregado do papai chamado Sebastião me
levava e quando percebia que eu estava cansada carregava-me nas costas para
andar depressa e não perder a condução.
Desde criança sonhava em ser professora. Brincava
diariamente de Escolinha, às vezes sozinha escrevendo com carvão em tábua velha
no rancho de minha casa; outras vezes com algumas coleguinhas. Para conquistar meu objetivo, quando terminei o Curso de
Admissão e entrei para o Ginásio, tive que me mudar para outra cidade e desta
vez sozinha. Fui morar como pensionista na casa de amigos dos meus pais, que
ofereciam pensão. Só retornava para casa nas férias de julho ou no término do
ano letivo. Foram anos de aprendizagem e também de adquirir maturidade.
Numa das férias de dezembro, ao retornar para casa, fiquei
sabendo que minha mãe estava muito doente. Passamos o Natal e o Ano Novo
juntos. Mamãe era muito alegre e, mesmo com a doença grave, que na época não era
tão conhecida (câncer), papai tentava explicar-nos após nosso jantar,
justificando que não era para nós ficarmos preocupados porque mamãe ficaria
curada. Papai entendia da gravidade, pois ele era médico e exerceu a profissão
alguns anos no Japão e minha mãe era professora de inglês e filha única.
Casaram e vieram para o Brasil como imigrantes em busca de “vida melhor”, como
diziam...
Festejamos Ano Novo, seguindo a tradição japonesa, recebemos
muitas visitas de parentes e amigos durante dez dias.
Aos poucos percebemos que a doença da mamãe foi se agravando
e tivemos que interná-la no hospital, onde foi submetida a uma delicada
cirurgia. Lembro-me, como se fosse hoje, quando os médicos me autorizaram para
visitá-la no quarto. Fiquei muito chocada ao vê-la tão debilitada mas, mesmo
assim, ela sorria e dizia que estava tudo bem e que logo estaria em casa. A última
receita que me ensinou no leito do hospital foi: “Como fabricar sabão
caseiro”, pois naquela época as pessoas fabricavam tudo em casa.
Alguns dias passaram e mamãe acabou falecendo: expirando
assim, os “CEM DIAS” após a cirurgia, como os médicos, juntamente com meu pai
haviam previstos... Não gosto de hospital, principalmente se tiver que visitar
alguém.
Tive que parar de estudar por um ano até que as coisas
fossem normalizadas em casa.
No ano seguinte, meus irmãos mais velhos conversaram com papai
e convenceu-o de mudar para cidade, deixar a vida de agricultor e buscar
novos trabalhos nas indústrias e eles também voltar aos estudos.
No ano de 1961, chegamos em São José dos Campos. Aqui
continuei meus estudos, trabalhando durante o dia e estudando à noite. Terminei o
curso ginasial e logo participei da prova de seleção para entrar no “Curso
Normal”, curso para Formação de Professor. Formei-me professora e no ano
seguinte, fui lecionar na zona rural onde a única condução era caminhão de
leite, cavalo e de vez em quando trator. Na Escola Rural, além de lecionar,
tínhamos que preparar merenda para alunos no fogão de lenha, cuidar da horta,
buscar água na mina, buscar lenha no mato, atender gestantes, briga de casais
etc.... Foram anos de experiência e lembro-me com muita saudade e começaria
tudo outra vez.
Quando surgiu a oportunidade de escolher uma escola que podia
ir e voltar diariamente, fiz Vestibular para o Curso de Direito, e na minha época
a prova eliminatória era o Latim. Se fosse aprovada na matéria, poderia
prosseguir com outras, português, etc.. Fui aprovada em sétimo lugar. Fiquei
muito feliz e durante cinco anos estudei muito. Tenho muita saudade do tempo da
faculdade. Muitas histórias tenho para contar. Naquela época as provas eram
semestrais e a nota mínima era sete. Eram chamados de EXAMES. Tivemos
excelentes professores que hoje viraram nome de praça. Por exemplo: Cândido
Dias Castejon, professor exigente, com olhos azuis, sistemático e outros
mestres. Pena que já se foram... Que Deus os tenha!
Logo que me formei e registrei na OAB, trabalhei alguns anos
com meus amigos como advogada. Depois percebi que, lecionando em três períodos
na escola não dava muito tempo para conciliar, achei melhor parar e continuar
depois que me aposentasse.
Voltei a estudar e formei-me em Psicopedagogia, Letras e por
fim aposentei-me em 2010 como professora.
Já contei um pouco de mim. Agora vou conversar sobre SESC.
Tive conhecimento do SESC e fazer parte dele desde 1982
quando fui trabalhar na Escola Particular. Costumávamos levar os alunos da
escola para vários eventos programados e participávamos de corpo e alma. Lia
vários folhetos que SESC oferecia e fazia trabalhos complementares com os
alunos. Nossos alunos participavam de teatros, jogos e atividades culturais.
Quando o SESC mudou para Rua Coronel Monteiro, no Centro, ficou mais fácil para
nossos alunos e também para mim.
Em 2005, quando deixei de trabalhar no período da tarde,
iniciei atividade física, ginástica. Terminava minhas aulas às 11h30 e saía correndo
para chegar até as 11h40 e participar da ginástica de terça à sexta-feira. As
aulas sempre foram excelentes. Não tínhamos esteiras e outros maquinários e
tudo era na base da criatividade do professora. Única coisa que tínhamos era
bicicleta. Lembro-me quantas vezes corríamos na rampa e tudo era muito bom...
Quando saía a programação e lia a do setor de Turismo ficava muito
triste, porque não podia viajar por motivo de trabalho. Mas na primeira
oportunidade que tive fui viajar para Bananal, num sábado, dia que a escola não
me convocou para trabalhar. Fiquei muito feliz e conheci o sistema SESC de
Turismo.
Agora que sou aposentada, posso fazer parte das viagens de
turismo programadas pelo SESC. E sempre que posso, viajo. Parabenizo a
coordenadora do SESC Turismo pela organização das viagens porque sempre inclui
a parte cultural, além de lazer. PARABÈNS!
Hoje o SESC faz parte de mim. Ajuda a cuidar da minha saúde,
pois participo da hidroginástica e ginástica multifuncional. Cuida do lazer:
Viagens maravilhosas que participei. São muitas, que não sei dizer qual foi a
melhor!
Frequentando o SESC, conheci muitas pessoas. Cada uma com suas
qualidades. Convivendo, aprendemos muito e isso nos faz pessoas tolerantes, amáveis,
porque as dores da alma não deixam recados e precisamos trabalhá-las para que
sirvam apenas de aprendizado, extraindo delas a capacidade de nos fortalecermos
e aprendendo que o melhor de nós, ainda está em nós mesmos...
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