quarta-feira, 9 de outubro de 2013

História de Lúcia Yahiko Gimbo



A gente começa a ser feliz quando é capaz de rir de si mesmo. Ria das coisas boas que te acontecem e ria abertamente para que todos possam contagiar com a tua alegria. Não devemos abater-nos pelos problemas porque nenhuma barreira é intransponível se estivermos dispostos a lutar contra ela.
Rindo da vida, rindo dos problemas e rindo de mim mesma vou participar deste seu lindo projeto intitulado “Conhecendo Vidas”, pois todos nós devemos aceitar as pessoas como são e procurando sempre ver nelas aquilo que têm de melhor.

Nasci a 17 de outubro de 1945, na cidade de Santo Antonio do Pinhal, estado de São Paulo, pertinho de Campos do Jordão. Fui registrada com o nome de Lúcia Yahiko Gimbo e tenho hoje 67 anos, quase 68. Até os 5 anos de idade, morei na terra natal onde passei muito frio e me lembro das manhãs, onde a geada acumulava na pastagem e nas bacias de água que congelava no quintal de minha casa e algumas roupas que ficavam “duras” no varal.

Como nasci logo após o término da Segunda Guerra Mundial, ouvia meus pais comentando sobre “Guerra” quando vinha alguns amigos visitar-nos. Mas veja bem: naquela época, as crianças não participavam de “conversas” junto com os adultos, muito menos no meio de “visitas”.
Entrei na escola Japonesa aos 5 anos e lá permaneci por alguns meses, onde aprendi as primeiras letras com ideogramas simples, própria para crianças de Jardim da Infância. Lembro-me com saudade daquela “marmitinha” que mamãe fazia para eu levar à escola e saborear na hora do recreio.
Uma das curiosidades que recordo muito bem da minha infância foi conhecer o “pão com manteiga”, principalmente a manteiga, produto comum hoje, mas naquela época, eu com 5 anos, teve um sabor todo especial porque eu conheci uma coleguinha na escola japonesa que levava “pão com manteiga”, e eu via a menina lambendo a manteiga do pão e não sabia porque ela se alimentava daquela forma. Veja bem como os tempos mudaram...

Aos 06 anos me mudei para outra cidade, onde meus pais compraram terras para desenvolver agricultura. Ficava muito longe da cidade e tudo era diferente de onde nasci. Não continuei na escola japonesa porque não havia, mas lembro-me que minha mãe continuou se dedicando ao ensino nas horas vagas para que houvesse continuidade e não caísse no esquecimento.
Quando matriculei-me no primeiro ano primário, precisava ir de ônibus para a cidade vizinha, pois onde morava não havia escola por ser zona rural. Tinha que andar a pé diariamente uns 6 km (ida e volta) para sair na estrada principal. Muitas vezes o empregado do papai chamado Sebastião me levava e quando percebia que eu estava cansada carregava-me nas costas para andar depressa e não perder a condução.

Desde criança sonhava em ser professora. Brincava diariamente de Escolinha, às vezes sozinha escrevendo com carvão em tábua velha no rancho de minha casa; outras vezes com algumas coleguinhas. Para conquistar meu objetivo, quando terminei o Curso de Admissão e entrei para o Ginásio, tive que me mudar para outra cidade e desta vez sozinha. Fui morar como pensionista na casa de amigos dos meus pais, que ofereciam pensão. Só retornava para casa nas férias de julho ou no término do ano letivo. Foram anos de aprendizagem e também de adquirir maturidade.

Numa das férias de dezembro, ao retornar para casa, fiquei sabendo que minha mãe estava muito doente. Passamos o Natal e o Ano Novo juntos. Mamãe era muito alegre e, mesmo com a doença grave, que na época não era tão conhecida (câncer), papai tentava explicar-nos após nosso jantar, justificando que não era para nós ficarmos preocupados porque mamãe ficaria curada. Papai entendia da gravidade, pois ele era médico e exerceu a profissão alguns anos no Japão e minha mãe era professora de inglês e filha única. Casaram e vieram para o Brasil como imigrantes em busca de “vida melhor”, como diziam...
Festejamos Ano Novo, seguindo a tradição japonesa, recebemos muitas visitas de parentes e amigos durante dez dias.

Aos poucos percebemos que a doença da mamãe foi se agravando e tivemos que interná-la no hospital, onde foi submetida a uma delicada cirurgia. Lembro-me, como se fosse hoje, quando os médicos me autorizaram para visitá-la no quarto. Fiquei muito chocada ao vê-la tão debilitada mas, mesmo assim, ela sorria e dizia que estava tudo bem e que logo estaria em casa. A última receita que me ensinou no leito do hospital foi: “Como fabricar sabão caseiro”, pois naquela época as pessoas fabricavam tudo em casa.
Alguns dias passaram e mamãe acabou falecendo: expirando assim, os “CEM DIAS” após a cirurgia, como os médicos, juntamente com meu pai haviam previstos... Não gosto de hospital, principalmente se tiver que visitar alguém.
Tive que parar de estudar por um ano até que as coisas fossem normalizadas em casa.
No ano seguinte, meus irmãos mais velhos conversaram com papai e convenceu-o de mudar para cidade, deixar a vida de agricultor e buscar novos trabalhos nas indústrias e eles também voltar aos estudos.
No ano de 1961, chegamos em São José dos Campos. Aqui continuei meus estudos, trabalhando durante o dia e estudando à noite. Terminei o curso ginasial e logo participei da prova de seleção para entrar no “Curso Normal”, curso para Formação de Professor. Formei-me professora e no ano seguinte, fui lecionar na zona rural onde a única condução era caminhão de leite, cavalo e de vez em quando trator. Na Escola Rural, além de lecionar, tínhamos que preparar merenda para alunos no fogão de lenha, cuidar da horta, buscar água na mina, buscar lenha no mato, atender gestantes, briga de casais etc.... Foram anos de experiência e lembro-me com muita saudade e começaria tudo outra vez.
Quando surgiu a oportunidade de escolher uma escola que podia ir e voltar diariamente, fiz Vestibular para o Curso de Direito, e na minha época a prova eliminatória era o Latim. Se fosse aprovada na matéria, poderia prosseguir com outras, português, etc.. Fui aprovada em sétimo lugar. Fiquei muito feliz e durante cinco anos estudei muito. Tenho muita saudade do tempo da faculdade. Muitas histórias tenho para contar. Naquela época as provas eram semestrais e a nota mínima era sete. Eram chamados de EXAMES. Tivemos excelentes professores que hoje viraram nome de praça. Por exemplo: Cândido Dias Castejon, professor exigente, com olhos azuis, sistemático e outros mestres. Pena que já se foram... Que Deus os tenha!
Logo que me formei e registrei na OAB, trabalhei alguns anos com meus amigos como advogada. Depois percebi que, lecionando em três períodos na escola não dava muito tempo para conciliar, achei melhor parar e continuar depois que me aposentasse.
Voltei a estudar e formei-me em Psicopedagogia, Letras e por fim aposentei-me em 2010 como professora.

Já contei um pouco de mim. Agora vou conversar sobre SESC.

Tive conhecimento do SESC e fazer parte dele desde 1982 quando fui trabalhar na Escola Particular. Costumávamos levar os alunos da escola para vários eventos programados e participávamos de corpo e alma. Lia vários folhetos que SESC oferecia e fazia trabalhos complementares com os alunos. Nossos alunos participavam de teatros, jogos e atividades culturais. Quando o SESC mudou para Rua Coronel Monteiro, no Centro, ficou mais fácil para nossos alunos e também para mim.

Em 2005, quando deixei de trabalhar no período da tarde, iniciei atividade física, ginástica. Terminava minhas aulas às 11h30 e saía correndo para chegar até as 11h40 e participar da ginástica de terça à sexta-feira. As aulas sempre foram excelentes. Não tínhamos esteiras e outros maquinários e tudo era na base da criatividade do professora. Única coisa que tínhamos era bicicleta. Lembro-me quantas vezes corríamos na rampa e tudo era muito bom...

Quando saía a programação e lia a do setor de Turismo ficava muito triste, porque não podia viajar por motivo de trabalho. Mas na primeira oportunidade que tive fui viajar para Bananal, num sábado, dia que a escola não me convocou para trabalhar. Fiquei muito feliz e conheci o sistema SESC de Turismo.
Agora que sou aposentada, posso fazer parte das viagens de turismo programadas pelo SESC. E sempre que posso, viajo. Parabenizo a coordenadora do SESC Turismo pela organização das viagens porque sempre inclui a parte cultural, além de lazer. PARABÈNS!

Hoje o SESC faz parte de mim. Ajuda a cuidar da minha saúde, pois participo da hidroginástica e ginástica multifuncional. Cuida do lazer: Viagens maravilhosas que participei. São muitas, que não sei dizer qual foi a melhor!
Frequentando o SESC, conheci muitas pessoas. Cada uma com suas qualidades. Convivendo, aprendemos muito e isso nos faz pessoas tolerantes, amáveis, porque as dores da alma não deixam recados e precisamos trabalhá-las para que sirvam apenas de aprendizado, extraindo delas a capacidade de nos fortalecermos e aprendendo que o melhor de nós, ainda está em nós mesmos...

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