História de como viemos para
o SESC
Esta história começa como
muitas e muitas outras começaram.
Depois de passar anos
estudando e trabalhando na cidade onde nasci, São Paulo, sempre estava a
sonhar em morar em uma cidade do interior. Sim, eu sonhava com isso, pois toda
vez que qualquer parente meu comentava algo a seu respeito sempre os
relacionava com sua vida anterior, advinda de uma cidade interiorana, pois todos
eles haviam nascido e se criado no interior.
Minha mãe , bem como seu
irmão, irmã, primos, tios e avós são de Espírito Santo do Pinhal, uma cidade a
aproximadamente 200Km de São Paulo. Meu pai é de Jaú, mas foi criado em
Itatiba, cidade bem próxima a São Paulo.
Em virtude de toda essa
descendência, alimentava o sonho de sair da capital, mas não havia como. Um
belo dia me vi sem meu emprego e tudo que havia visto até então era trabalho na
área de aeronaves. Pois é, trabalhei por 29 anos na antiga Viação Aérea São
Paulo, VASP, portanto uma das alternativas seria sair a procura do Vale e da
Embraer, e foi o que fiz. Em 2002 fiz os testes admissionais e em seguida estava
trabalhando na empresa. Não era exatamente o que havia tido antes, mas de
qualquer maneira era um emprego
Tudo começou deixando pela
madrugada a cidade de Osasco, onde morava, pegando o ônibus para S. José e
voltando pela noite, chegando por volta das 21h00 em casa. Foi assim por seis
longos meses. Eu chegava cansado e não conseguia ver direito meus filhos e
minha mulher. Um dia encontrei um ex-colega da VASP, que me convidou a morar com
eles numa república em SJC. Foi assim com 53 anos de idade que vim parar em São
José. Ficava na cidade até sexta feira à noite, quando então retornava a
Osasco. Domingo à noite partia novamente para São José.
Foi então que numa noite,
morando próximo ao SESC São José, fui até lá com o propósito de fazer uma
atividade física. Fui com um amigo de cerca da mesma idade, e juntos iniciamos
as aulas de alongamento. Esse meu amigo é um bom nadador e após a aula ele ia
nadar e eu ficava na piscina ensaiando, até que um dia iniciei as aulas de
natação.
Por volta de 2004 a
república se dissolveu, então aluguei um apartamento bem pequeno e mudei.
Continuei com as atividades no SESC, agora também frequentando as atividades
sociais de música teatro e cinema, mas o SESC se mudou para a rua Cel. Monteiro
enquanto reformava, portanto não havia mais a piscina. Nessa época sofri um
grave acidente durante o trabalho, necessitando operar meu ombro. Parei as
atividades no SESC durante um ano , pois fazia fisioterapia.
Quando o SESC retomou as
atividades no parque Santos Dumont, agora por imposição do acidente, iniciei
atividades de hidroginástica e multi-ginástica que pratico até então.
No final de 2005, cansado das
viagens de ida e volta para Osasco e com a necessidade de estar próximo da
família, viemos todos para São José dos Campos. Hoje moro com minha família
aqui, embora meu filho mais velho tenha ido trabalhar no Pará e o mais novo
estuda em Itajubá. Minha mulher se adaptou de tal maneira a cidade que não mais
voltará para a capital.
Ela participa das
voluntárias da igreja Sagrada Família e dá aulas de Patchwork em Santana.
Eu me habituei a frequentar
o SESC, gosto muito de conversar com as pessoas, os funcionários são muito
solícitos e educados conheço vários, converso com todos eles e meus colegas das
atividades.
Continuo trabalhando na
Embraer e agora ,após 8 anos, estou pensando em me fixar definitivamente por
aqui em São José, visto que estou muito próximo de minha aposentadoria e o
SESC está incluído nesse novo projeto de pós-carreira.
Existe muitas ideias para
esse projeto, não consigo pensar em parar, sou jovem , gosto de máquinas como aviões, motos, automóveis, gosto muito de ler, de música, de me instruir e
utilizar a parceria de meus conhecimentos, portanto não me vejo parado vendo o
tempo correr. Vamos à luta. E como havia dito no início: é uma história simples
como muitas outras, apenas fazendo parte de uma inclusão social e da vida em
uma comunidade fora da capital.
Pedro Godoy
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